A postagem de hoje vai tentar explicar se existe alguma relação entre políticas de transferência de renda - bolsa família - e a obesidade na classe mais pobre. Como explicado no post passado, o Brasil passou por um processo de transição nutricional, em que o elevado número de desnutridos está diminuindo e o de obesos aumentando. Também é importante frisar que nas últimas décadas várias famílias pobres tornaram-se beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF), que é atualmente o maior programa de transferência de renda do mundo.
Já se sabe que o nível econômico, as condições de moradia, a disponibilidade de alimentos e o acesso à informação são fatores que interferem no peso corporal. Países subdesenvolvidos e em desenvolvimento possuem ainda um problema no acesso a alimentação pela classe pobre, assim a obesidade é mais comum nas classes mais pobre, já os países desenvolvidos a obesidade é comum nos pobres, pois as classes ricas possuem mais acesso a informação e a prática de exercícios físicos.
Relatórios que mostram o êxito do PBF afirmam que 91% das famílias atendidas no Nordeste gastam mais dinheiro do benefício em alimentação, sendo que todos os grupos alimentares tiveram aumento em seu consumo, principalmente açúcares e alimentos de alto teor calórico, que promovam sensação de saciedade e mais energia. E os alimentos menos consumidos são leites e seus derivados, esse fato pode acarretar problemas de deficiência de cálcio, que está relacionado com a formação estrutural de ossos, na coagulação do sangue e contração muscular.
Assim, o PBF aumentou as rendas das pessoas pobres, que usam o dinheiro para alimentação, só que por falta de informação as pessoas se alimentam mal. Por exemplo, alimentos com maior qualidade nutricional, como frutas e verduras possuem valor elevado para os pobres. E em relação as crianças, a merenda escolar é baseada em alimentos de alto poder calórico, que são ricos em carboidratos (macarrão, pão, batata, arroz).
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Mas não se pode relacionar o PBF apenas como fator gerador dessa nova "cara" da obesidade, pois o Brasil passou por uma crescente queda na taxa de desemprego, que também aumenta a renda das famílias. Convém também destacar que não só o aumento da renda que determina o surgimento da obesidade, ele tem que está relacionado a falta de informação, fator esse bastante importante no combate a essa nova doença nas classes pobres.
Assim, é preciso além de informação, acompanhamento dessa população por parte de profissionais de saúde, dessa forma, é importante a valorização à assistência básica, através de programas como a Saúde da Família, em que se acompanhe os obesos e procure restabelecer sua saúde, afim de evitar outras doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade, com ênfase no manejo alimentar e nutricional.
Fontes:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-05822011000400010&script=sci_arttext
http://www.todabiologia.com/saude/calcio.htm
http://dab.saude.gov.br/atencaobasica.php
